1.035.647. Esse é o total de registros recebidos pelo Ligue 180 nos primeiros sete meses do ano.
E aí estamos falando de pedidos de informações, denúncias e orientações, só de janeiro a julho deste ano, o que representa 95% de tudo o que chegou no Ligue 180 no ano passado. O que dá mais de 4.800 atendimentos por dia.
Analisando agora só as denúncias, os dados mostram um total de 98.705 até julho deste ano.
35% delas são de violência psicológica, que é aquela do controle, da humilhação, aquela que diminui a mulher e afeta a autoestima.
Depois vem a violência doméstica, a da Maria da Penha, seguida pela física, moral, patrimonial e sexual.
São Paulo lidera: 106.500 registros. Depois vem Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A Amanda Oliveira, que é do Odara - Instituto da Mulher Negra, comenta:
"Isso tudo nos retrata um caminho, né, que parte desde as lesões, das ameaças, até chegar no fato do feminicídio em si. Então, os últimos dados eles nos retratam que a necessidade da prevenção é muito importante na perspectiva de tentar garantir, para além da questão da proteção, tentar garantir uma incidência na prevenção da violência doméstica familiar e do feminicídio", diz.
Onde acontece essa violência, segundo as denúncias? Em primeiro lugar, na casa da vítima; depois, na casa da vítima e do agressor (por exemplo, quando é um casal e o agressor mora lá).
Aliás, mais de um terço das agressões é cometida pelo companheiro ou ex-companheiro.
E quem é essa vítima? Os dados mostram que ela é, em sua grande maioria, preta e parda — mais de 40.000 do total — e de baixa renda.
70%, ou seja, 69.200 mulheres, não têm renda ou ganham até dois salários mínimos.
A Amanda Oliveira, do Instituto da Mulher Negra, explica:
"As mulheres negras são as mulheres que mais morrem por feminicídio no Brasil, são as mulheres que são mais atravessadas por essas violências, e isso se dá a partir de um contexto construído historicamente, que é um contexto que sustenta tanto a violência de gênero no Brasil, a partir de um espaço, de uma sociedade extremamente machista e patriarcal, que sustenta uma perspectiva de inferioridade das mulheres, mas também que se sustenta em cima de uma violência que é destacada pela raça", fala.
Mas os dados mostram também que as próprias mulheres são as responsáveis pelas denúncias: 67% são feitas por elas.
E aí sempre vale a pena reforçar o número 180.
Disque 180 de qualquer telefone para denunciar, pedir orientação ou para saber dos direitos de nós, mulheres.
Fonte: Radioagência Nacional